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"Uma casa de bambas-A HISTÓRIA DO CARIOCA DA GEMA NA lAPA"- Perfeito Fortuna, muso e embaixador

Autor: Cesar Tartaglia

O agitador cultural Perfeito Fortuna é uma espécie de embaixador do Carioca da Gema plantado na Fundição Progresso. Talvez mais que isso, como ele mesmo define, Perfeito se considera um integrante da família Carioca da Gema. Os caminhos de cada um – o trio Thiago/Marianna/Carol e o do Senhor Alegria – se cruzaram no alvorecer do renascimento da Lapa, início dos anos 2000. Perfeito, depois de se desligar da trupe que havia criado o Circo Voador, e que tinha concepções distintas das dele para administrar a Fundição (sucedânea do Circo), foi trabalhar na Amazônia com índios e seringueiros. Retornou ao Rio em março de 1999. Eleito presidente da ONG Fundição de Arte e Progresso, convocou grupos artísticos (Intrépida Trupe, Teatro de Anônimo, Armazém Cia. de Teatro e outros) para ocupar a Fundição e desenvolver suas propostas. Por essa época, o trio Thiago/Carol/Marianna já havia começado a desbravar esse naco ainda carente de ações de revitalização do Centro boêmio da cidade.

– Quando vim pra Lapa, em 99, ouvia muito falar de um tal de Emporium 100, como um lugar de boa programação cultural. Mas não cheguei a ir até lá. Não conheci pessoalmente. Pouco depois, vi nascer o Carioca da Gema. Achei interessante, uma ideia muito boa, que contribuiu muito pro reerguimento da Lapa. Logo em seguida conheci o Thiago e entrei para essa família. A gente se gostou muito, logo de cara. Se há uma família na Lapa a que poderia pertencer, essa família é a do Thiago. Chegamos a fazer jantares juntos entre nossas famílias – conta Perfeito.

A identidade recíproca se deu não só pela empatia. Juntos, Perfeito e Thiago trabalharam intensamente pela revitalização urbanística e cultural do bairro.– cada um com suas respectivas casas, com seu amor pelo Rio, com o jeito carioca de ser e, em especial, com muito trabalho. Fala Perfeito:

– Fizemos uma associação, a Novo Rio Antigo. Fomos eu, o Thiago, o Plínio (Froes, sócio do Rio Scenarium) e outros. A gente se identificou muito nesse movimento, próprio aqui da Lapa, que nasceu sem um padrinho político, sem o amparo da política tradicional, sem qualquer ingerência de governos. A Lapa revitalizada não teve nada disso. Teve comerciantes e artistas que recuperaram o sentido do Centro boêmio. A Lapa é um fênix. Essa união que tivemos no Novo Rio Antigo começou a render ações. Promovemos passeatas e ocupações culturais, o Plinio começou a fazer a Feira do Lavradio, começamos a fazer desfiles de carnaval com o Boitatá, o Céu na Terra... Aí vimos que tudo aquilo dava o maior pé. Foi bom não nos ligarmos a um padrinho político, mas por outro lado a Lapa não desenvolveu todo o seu potencial de crescimento. É uma região que não tem eleitor, aqui é um bairro de passagem. A gente sofre um pouco por causa disso. Ao mesmo tempo temos um movimento real, libertário, não uma ação em que o governo coloca dinheiro. É claro que pagamos um preço. Sofremos muito um refluxo, por exemplo, diante de todo o investimento que foi feito no Porto Maravilha, na Praça Mauá, que passou a disputar com a Lapa, com muito mais incentivo financeiro de fora, o protagonismo cultural do Centro.

No rastro daquela formidável mobilização de empresários, artistas e cariocas visionários, que foi decisiva para o soerguimento da Lapa, deu-se em 2005 a concretização de um projeto que Perfeito Fortuna acalentava com carinho – o Concurso Nacional de Marchinhas Carnavalescas da Fundição Progresso. Era um movimento que até então fervia somente na cabeça do agitador cultural. E, tornado realidade, ajudou a levar água para o que já então se tornara um enxurrada inescapável: o renascimento do carnaval popular em todo o Rio, uma sadia retomada das ruas por blocos e foliões, à maneira do que a cidade vivera em épocas anteriores da sempre efervescente vida cultural do município. Dessa forma, a Lapa, que estivera na vanguarda do renascimento do carnaval de rua, dava nova e sólida contribuição ao fenômeno.

Desde sua primeira edição, o concurso arrastou uma multidão de apaixonados fãs dessa que é uma das mais autênticas manifestações musicais do carnaval de rua. Foi tão grande o impacto dessa ideia, simples em sua obviedade como decorrência de uma tradição que estava sendo retomada, em contraposição ao monopólio do carnaval até então celebrado no Sambódromo como evento destinado exclusivamente a endinheirados e turistas, que as primeiras finais do concurso chegaram a ser transmitidas pela TV Globo, como atração do “Fantástico” e participação ativa dos telespectadores. Seguiram-se na esteira do sucesso o lançamento de CDs com as marchinhas finalistas e, não fosse o Rio a caixa de ressonância da vida cultural do Brasil, a reprodução da fórmula por municípios do país afora. Ao todo, foram realizadas dez edições do concurso.

Perfeito é o tipo do sujeito em permanente estado de celebração da vida. O Senhor Alegria por espírito, um otimista inveterado. E não abre mão dessa particularidade, mesmo diante de grandes problemas – que não são poucos – que costumam bater no seu quintal. Sua receita: mergulhar nas ideias, sonhar, levar à frente projetos por mais que eles lhe cobrem a dedicação de um mouro.

– Dá uma sensação de eternidade, você sabendo que está tornando permanente a alegria. É uma coisa que vem do coração, da alma. Aí você sente a função da alegria na vida das pessoas. O que nós fazemos, aqui na Fundição, no Carioca da Gema, na Lapa e em todos os lugares aonde podemos ir com nossos princípios, é saúde pública. Música, festas, prazer... isso é saúde pública. O contrário disso é hospital, é depressão. Se você gasta seu tempo comemorando, vai pra casa disposto a namorar, a viver a felicidade de estar com parentes, amigos. Você existe. A saúde não é o hospital. A saúde é a alegria – ensina Perfeito.

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