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"Uma casa de bambas-A HISTÓRIA DO CARIOCA DA GEMA NA lAPa"Depoimentos

Autor: Cesar Tartaglia



Teresa Cristina, a voz delicada do samba

O “Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira” registra que Teresa Cristina nasceu em Bonsucesso, foi criada na emblemática Vila da Penha e que “antes de decidir-se pela carreira artística trabalhou como manicure, fiscal do Detran, programadora de rádio pirata na Uerj, vendedora de cosméticos e auxiliar de escritório”. Mas quando apareceu no quintal da Tia Surica (a fonte também é o pesquisador Cravo Albin) e, vencendo a timidez, começou a cantar, tudo isso ficou pra trás. Cantar era seu ofício, é o seu ofício e não precisa ser vidente para perceber que sempre o será. Pioneira do palco do Carioca da Gema, sua voz está indelevelmente marcada na história da casa. Vascaína, sambista e gente boa – eis aí qualidades que só podem somar na personalidade de qualquer pessoa. Na de Teresa, não se trata de acrescentar: elas são a extensão de uma alma de passarinho que combina perfeitamente com seu jeito meigo, sua fala mansa e sua voz... ah, sua voz... Por certo a voz pela qual falariam, sem qualquer restrição, Clio, Calíope e Euterpe, divindades gregas ligadas à representação da música. Aspas para nossa deusa:

Quem me levou para o Carioca da Gema foi o Lefê Almeida. Nessa época eu fazia os sábados do Semente. Lefê me convidou pra fazer as sextas-feiras no Carioca. Também fiz o Centro Cultural Carioca, ali perto da Praça Tiradentes, às quintas-feiras. Então fiquei durante muito tempo fazendo as noites de quinta, sexta e sábado ali na região. Comecei a cantar em temporada fixa no Carioca, creio, em 2001. E fiquei até 2015.

Tenho lembranças maravilhosas do Carioca da Gema. Muitas. As sextas-feiras na casa sempre foram mágicas. Parecia que sempre havia alguma coisa a mais, uma animação extra, um público muito bacana. É uma casa comandada por uma família, né? Isso faz muita diferença. Sempre fomos – eu e o Semente, quando o grupo me acompanhava – bem tratados pelo Tiago, pela Carol, pela Marianna.

A importância do Carioca para a Lapa foi primordial. O Semente foi o start de tudo, foi pioneiro junto com aqueles bares da Lavradio. Mas o Carioca foi o que profissionalizou a relação com os músicos, com os artistas. Tinha o Lefê, uma figura muito querida, que entendia tudo de samba, conhecia muita gente, era amigo dos compositores, de todos os sambistas. Sua vida foi toda dedicada à música, foi um grande produtor cultural. Ele deu a cara do Carioca. As pessoas que ele escolheu pra cantar eram do primeiro time. Tinha o Choro na Feira, a Áurea Martins, o Rixxa cantando sambas-enredo nas segundas-feiras... Lefê foi ajudando a dar a cara da casa. Tô falando dele como produtor cultural, mas o Tiago, a Marianna e a Carol se tornaram mais do que donos de uma casa noturna. Eles sempre se divertiram com a gente, estavam sempre juntos com a gente nos shows, prestigiando os artistas. Tínhamos uma relação com os três muito boa.

O Carioca não é uma casa administrada por pessoas que não têm a ver com o samba – muito pelo contrário. A casa foi se modificando com o tempo, mas o mais importante é o carinho com que sempre tratou os músicos, o cuidado com a contratação de tantos artistas ao longo do tempo na Lapa. Foi uma fórmula de sucesso, um molde que depois foi aplicado em várias outras casas da região. O Carioca serviu de espelho e de inspiração”.

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