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"Uma casa de bambas-A HISTÓRIA DO CARIOCA DA GEMA NA lAPa"Depoimentos

Autor: Cesar Tartaglia



Rixxa, o Pavarotti do samba

A particularidade de ter começado a cantar no coro da Empresa de Correios e Telégrafos, quando lá trabalhava, e de ter uma voz de tenor que preenche, inconfundível, o ambiente onde quer que esteja cantando valeu ao cantor Rixxa o carinhoso apelido de “Pavarotti do Samba”. Junte-se a isso outra qualidade – a de ter um repertório, em especial aquele tomado na seara dos sambas de quadra e sambas-enredo, de primeira linha entre os clássicos do mais popular dos gêneros musicais do Brasil. Pronto. Temos aí um intérprete perfeito, uma unanimidade que se espalha por todas as escolas em que militou e pelo salão do Carioca da Gema, onde ocupa as segundas-feiras desde os primórdios da casa. Aspas para nosso clássico:

Minha ligação com o Carioca da Gema começou com um convite do Paulão Sete Cordas e do Lefê. A casa não abria às segundas-feiras e eles queriam fazer um samba pra esse dia da semana. A ideia, que está no formato do meu show até hoje, era fazer uma noite de sambas de quadra e de enredo, que são a minha praia. Aceitei de imediato, ocupei a noite e adorei – estou adorando até hoje. O Carioca é uma casa maravilhosa, tem um público que realmente gosta de samba. E deu certo, né? Já estou aqui há mais de uma década e graças a Deus o público tem dado mostra permanente de que gosta muito do que faço.

Pra montar o show, o Paulão ficou como diretor musical. Ele ficou responsável por montar o grupo. Já passaram vários músicos tocando aqui comigo, mas a base e a ideia das apresentações continuam sendo as mesmas. Quando a gente precisa substituir alguém, vem sempre outro músico à altura, porque fazemos questão de manter a qualidade musical. São músicos profissionais, a maioria dos que estão comigo toca com o Zeca Pagodinho, por exemplo.

Estou na estrada da noite há mais de vinte anos, militando na música, desde a época do antigo estúdio Havaí, ali na Central do Brasil. E o pessoal que me acompanha também está nessa estrada. A gente se conhece bem. Somos bem entrosados. Por isso que o samba fica tão gostoso.

Já cantei na maioria das escolas de samba. Foram experiências muito boas, com as quais aprendi muito e que me marcaram positivamente. A minha formação é um pouco erudita, porque eu cantava num coral lírico, fui primeiro-tenor do Coral Comunica Som, da Empresa de Correios e Telégrafos. Eu trabalhava lá. Quando sai da empresa, vim para a música popular. Trouxe uma bagagem do erudito, e isso juntou com o popular, onde aprendi muito também.

Na Portela e no Império foi onde me formei de verdade no samba. A Mangueira também me deu muita cancha. Tive a oportunidade de conhecer grandes sambistas. Era emocionante chegar na quadra e ver Cartola. Na Portela, ainda temos a sorte de ver o Monarco, encontrar o Noca, Surica... Eu bebi dessa fonte com muito prazer. Mas com tudo isso não posso dizer que tenha uma escola de coração, porque aí me complica (risos). Digamos que eu sou o samba, a voz do morro sou eu mesmo, sim senhor... (gargalhada sonora).

Ter vindo para o Carioca foi fundamental pra impulsionar minha carreira. Até então, eu era mais ligado ao mundo dos sambas-enredo, às escolas. Tenho a minha veia de compositor, já fiz sambas com Arlindo Cruz, com Zeca... Andávamos juntos nós três, eu, Arlindo e Zeca. Cantei com o Beto Sem Braço no Império Serrano, depois comecei a defender sambas nas escolas. Em 87 defendi o Salgueiro, por exemplo. Quando me afastei das escolas, ao vir pro Carioca da Gema, atingi outro patamar na carreira”.

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