• Carioca da Gema

"Uma casa de bambas-A HISTÓRIA DO CARIOCA DA GEMA NA lAPa"Depoimentos

Autor: Cesar Tartaglia


Marcia D. Antonio: a casa do samba e a minha casa

Minha experiência com a Lapa e o samba começou com um namorado que estava aprendendo a tocar flauta. Com isso comecei a frequentar rodas de choro e samba. O casamento com o namorado terminou, mas com o samba ficou para sempre. Veio o sonho de abrir uma casa de samba, sob o estímulo de uma amiga que virou minha sócia. A ideia e a coragem vieram dela, assim como o nome Dama da Noite e o local escolhido. De mim vieram o pouco dinheiro, a vontade e a fé de que ia dar certo. O sonho dela terminou em três meses de casa aberta, e o meu, junto com muita luta e trabalho, durou quatro anos. Segui sozinha, sempre achando que ia melhorar. Sozinha não; com parceiros incansáveis, como meu marido na época e minhas fiéis escudeiras Mariane e Marilena.

Fizemos tudo o que foi possível, tentamos de tudo, junto com alguns produtores maravilhosos – como Paulo Figueiredo e Mario Lago Filho, entre outros. No último ano eu era tudo, produtora, assessora de imprensa, programadora, dona e até caixa. Mas tudo começou errado e foi impossível recuperar os erros. Houve falta de experiência e muito ideal. Mas foi lindo mesmo assim, com todos os “Dramas” da Noite.

Inauguramos com uma programação maravilhosa, os dois grupos de que eu mais gostava e os quais acompanhava na época, o Dobrando a Esquina e o Anjos da Lua. Tinha fechado na época o Emporium 100, na Lavradio, onde eles tocavam. Os dois grupos migraram para o Dama, mas não aguentaram os “dramas”. Também o Casuarina, nessa época com o Moyseis Marques, começou nos sábados e ficou junto conosco quase até o fim com todos os “dramas”... É importante citar que tive também apoio enorme do Plinio e do Tiago nessa época, no fechamento e nos dias difíceis que vieram depois do fechamento.

Recebi músicos e sambistas que valeram todo o esforço de montar a casa – Dona Ivone, Argemiro, Seu Jair, Walter Alfaiate e tantos outros. E o Tempero Carioca, nosso preferido, teve sua gênese no Dama também. Paulinho levou a ideia de lá. Alfredo Del Penho fazia happy hours no violão novinho... Enfim, muitas historias.

Fora nesse intervalo de quatro anos do Dama, eu frequento os melhores lugares de samba tanto quanto posso desde 1991. E desde que o Carioca da Gema abriu é o meu lugar preferido. Sempre adorei os grupos que tocam e tocavam lá, sempre admirei a sólida sociedade deles, o atendimento perfeito dos garçons. Desde Zulu, que cuidava de mim e de todos os meus “casos” amorosos. Já fui disputada a tapas no Carioca... Rsrs... E o Zulu tentava resolver essas situações. Hoje temos o Alex dançarino e todos os outros. Temos o Baby, que nos acolhe sempre com muito carinho. Fora toda a família que sempre me acolheu muito bem. Vi no Carioca shows inesquecíveis do Luís Carlos da Vila e tantos outros.

Eu me sinto em casa sempre, mas andei meio afastada, chateada com as mudanças de programação... A falta do samba de verdade, mas ainda é a minha casa preferida, do meu coração. Sempre penso em por que prefiro o Carioca ao Trapiche, pois o Trapiche teria mais a minha cara, roda em vez de palco, mais lugar para dançar, uma casa linda... Mas meu coração fica com o Carioca. Não me sinto no Trapiche super em casa como me sinto no Carioca. Não tem explicação, porque lá também tem uma ótima programação, músicos que adoro, atendimento ótimo. Mas minha casa de samba preferida ainda é o Carioca.

0 visualização
(21)98556-0834
av.mem de sÁ, 79

Razão Social: thianas eventos Ltda.

CNPJ: 14.022.532/0001-34

© 2019 by Carioca da Gema