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"Uma casa de bambas-A HISTÓRIA DO CARIOCA DA GEMA NA lAPa"Depoimentos

Atualizado: Jun 3

Autor: Cesar Tartaglia



Ana Costa, a cantora que todo mundo gosta

Ana Costa é música – e vale o duplo sentido. Na verdade triplo sentido. Primeiro, porque, artista completa, não se limita a sua porção de intérprete. Ela também toca violão e cavaquinho, para além de ser uma compositora de mão cheia. Logo, música. Segundo, ela é música por metonímia: sem dúvida, Aninha personifica a música no seu sentido mais amplo. E, terceiro, porque a cantora é meiga como uma canção de amor. Outra pioneira do Carioca da Gema, Ana Costa já cantou de quase tudo – bossa nova, algumas coisas da MPB. E samba. Samba virou sua praia, embora ela não se feche para experiências que vão além dos quintais e rodas. Aqui, Ana por Ana e o Carioca por Ana:

“Cheguei ao Carioca da Gema através do Lefê. Nós já tínhamos uma história desde a época do Emporium 100. Ele chegou pra mim e disse que iam abrir um bar novo, que seria uma experiência muito legal na Lapa. Seria algo totalmente diferente de tudo o que estava rolando por ali. E falou do Carioca. Ele perguntou se eu queria fazer uma happy hour, com voz e violão. Isso foi uma semana depois da inauguração da casa. Era um banquinho e um violão (risos). Fiquei alguns anos fazendo esse esquema. No terceiro ou quarto ano, chamaram o Oswaldo Cavalo pra dividir comigo. Aí passamos a voz, violão e percussão. Ficamos mais um bom tempo nesse esquema. Nesse meio tempo, eu também fazia a abertura para a Teresa Cristina com o Grupo Semente. Foi muito legal. Casa sempre cheia, fila na porta, maior sucesso.

Na época, o samba na Lapa vivia o maior boom. Depois o Lefê saiu e o Paulinho Figueiredo entrou como programador musical. Ele me chamou pra fazer o show aos sábados também. Então fiquei fazendo sexta-feira e sábado, de quinze em quinze dias, eu revezando com a Luiza Dionizio. Depois, muito tempo depois, larguei a sexta-feira. Acho que sou a artista que está há mais tempo na grade do Carioca da Gema.

Aí surgiu a proposta, do Tiago, de fazer uma roda de samba. Eu montaria meu grupo e tal. Ele me ajudou a escolher as pessoas. Eram Beloba, Felipe, Humberto Araújo, Alceu Maia (sempre comigo, claro), Wallace e o Cavalo. Ficamos mais ou menos um ano com essa formação. Mas era uma época em que todos os artistas estavam sendo muito requisitados pra apresentações, todos fazendo show pra caramba. Ficou difícil manter o grupo. O Tiago chegou e propôs mudar a banda, e ficou essa formação mais ou menos definitiva que temos hoje (maio de 2018): Evandro no violão, Alceu no cavaco, Dirceu Leite no sopro, e o trio (Jorge) Agrião, Bianca Calcagni e Silvão na percussão.

Comecei na música cantando em bar. Cantava de tudo – bossa nova, samba... algumas coisas de MPB. Já a parte pop não era comigo, tampouco aqueles standards de música americana. Eu morava na Baixada Fluminense. Aí fui morar em Santa Teresa e, em seguida, conheci o pessoal do Martinho da Vila. Conheci o Agrião. A Analimar (filha de Martinho) me chamou pra fazer parte do grupo Quer Sambar. Isso era mais ou menos em 1993 – início da década de 1990, com certeza. Fizemos um disco, produzido pelo Martinho. Dali pra cá, só trabalhei com samba. Foi onde tive a oportunidade de fazer meu trabalho como o imaginava, minhas músicas etc. Enfim, pude traçar um caminho mais marcante.

Conheci o Agrião nesse grupo da Família Martinho. Fiquei muito empolgada com ele logo que nos aproximamos. De lá pra cá, nunca mais nos abandonamos. Tem a Analimar também, que eu considero a minha madrinha musical. Foi através dela que tudo aconteceu pra mim no samba. E o Agrião sempre foi muito amigo. Éramos um grupo de seis pessoas, três mulheres e três rapazes. A gente saía pra rodas de samba, ali em Vila Isabel principalmente, na época em que as coisas aconteciam na Vila. Saíamos pra beber, começamos a compor. Nossos caminhos sempre estiveram muito próximos.

Sou uma trabalhadora da música. Estamos passando uma fase muito difícil na noite carioca. É um momento que exige que a gente se reconstrua, se reinvente. Precisamos repensar os detalhes da música e da nossa profissão como músicos. Temos de ter imaginação pra atravessar essa crise. Penso estudar cada vez mais e poder fazer o máximo de coisas. Não estou preocupada se o caminho é samba de raiz, se não é samba de raiz... É música. Aprendi muito com o samba, busquei a maturidade no palco. Grande parte do que eu sou hoje devo ao samba. Houve uma época em que pensei que só podia fazer samba. Mas não. A música é muito ampla. Eu sou música – e tem gente que pensa que cantor é uma coisa, e o músico é outra. Eu não penso assim”.

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