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Padeirinho da Mangueira é carioca da gema

Autor: Luis Pimentel

Caricatura: Carlos Amorim


“A situação do Escurinho está ruim como o quê/O Zé Pretinho diz que quer saber da mulher que ele carregou”. Esses versos são de um samba pouco conhecido (“A situação do Escurinho”), em resposta a outro que todo mundo conhece (“Escurinho”), de um compositor que todo mundo sabe quem é: Geraldo Pereira. Mas o autor desses versos também é um sambista brilhante, também mangueirense de primeira hora, contemporâneo e amigo de Geraldo: Osvaldo Vitalino de Oliveira , conhecido no mundo do samba como Padeirinho da Mangueira, um compositor genial.

Padeirinho nasceu em março de 1927 (no dia 4). Ganhou esse apelido porque o seu pai era padeiro. Começou a compor ainda menino, e desde sempre cantava seus sambas nos botequins do morro e saía na bateria da Estação Primeira. Entrou para a Ala de Compositores da escola em 1947, quando apresentou o samba "Mangueira desceu pra cantar". Sua primeira música gravada foi "Mora no assunto" (parceria com Joaquim dos Santos), num disco do grande intérprete mangueirense (nem pensar em chamá-lo de puxador. Ele dizia que “puxador é ladrão de carro”) Jamelão, no comecinho dos anos 1950. Jamais conseguiu viver de samba, mas para o samba viveu a vida inteira. Foi funcionário do Cais do Porto e da Limpeza Pública do Rio de Janeiro. Participou do show "O samba pede passagem", no Teatro Opinião no Rio. Em 1974 gravou como intérprete o samba "A mais querida" e o samba-enredo "O grande presidente" (ambos de sua autoria), para o selo Marcus Pereira, no LP "História das escolas de samba: Mangueira".

Entre os grandes sucessos de Padeirinho estão, além de “Situação do Escurinho”, que teve gravação deliciosa e cheia de ginga pelo grande Germano Matias, "Favela" (parceria com Jorge Pessanha), "Linguagem do Morro" (com Ferreira dos Santos, que foi muito bem gravada por João Nogueira) e "Como será o ano 2000?", que Cristina Buarque e Carlinhos Vergueiro gravaram. O grande bamba tem músicas suas gravadas, também, por muitos outros intérpretes, todos seus admiradores: Paulinho da Viola, Martinho da Vila e Cartola estão entre eles. Não chegou a gravar um disco só seu. Estava tudo preparado para as gravações do primeiro LP acontecerem em 1987, ano em que o sambista morreu. Padeirinho foi um dos maiores. Da Mangueira, do samba e da música brasileira.

Luís Pimentel

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