• Cris Penido

Monarco, o Baluarte do Samba!

Atualizado: Mar 26

Autor: Cesar Tartaglia

Corri pra ver Pra ver quem era Chegando lá Era a Portela O povo cantando assim Oh, oh, oh, oh A majestade do samba Chegou, chegou O povo cantando assim Oh, oh, oh, oh A majestade do samba Chegou, chegou... (Velha Guarda da Portela) Com esse samba em mente, neste mês o homenagearemos o portelense Hildemar Diniz, mais conhecido como Monarco. Integrante e líder da Velha Guarda da Portela, respeitado por todos. Uma referência de sambista e de samba. Já se apresentou diversas vezes no Carioca da Gema e sempre com muita delicadeza e respeito. Nasceu no dia 17 de agosto de 1933 em Cavalcante e sua infância foi em Nova Iguaçu, aos 13 foi para Oswaldo Cruz, o filho do marceneiro e poeta José Felipe Diniz (chegou a publicar poemas no Jornal das Moças), estudou até o 3º ano primário. Aos seis anos recebeu de um amiguinho (Noca) o apelido de Monaco - conta Monarco que seu amigo estava lendo o gibi e falou essa palavra Monaco, ele riu, o amiguinho virou e disse “tá rindo de que seu Monaco?” em casa abreviaram para Naco. Depois que veio o “r”. Dessa época de infância suas melhores lembranças era correr com os pés descalços na terra dos laranjais de Nova Iguaçu e caçar passarinho. Aos sete compôs seu primeiro samba: “Eu devia ter 7 anos quando criei meu primeiro samba. Nessa época, eu andava com dois amigos, o Luiz e o Sabu, e me deu um negócio na cabeça de Liga da Defesa Nacional. Nem sabia o que era isso, mas aí eu fiz: “A Liga da Defesa Nacional vai contratar o crioulinho e o Sabu, para cantar lá no Rio Grande do Sul. Também vai contratar Monaco e Luiz, a garotada vai pedir bis” (fonte: jornal EXTRA –caderno Baixada Fluminense) Em Oswaldo Cruz, bairro onde surgiu a Portela teve contato desde cedo com os sambistas da escola começou ali a compor seus primeiros sambas para os blocos de Subúrbio. Monarco foi discípulo de Paulo da Portela. Em 1930, ingressou no Bloco Primavera, em 1950 já fazia parte da Ala dos Compositores da Portela, tendo como padrinho e grande incentivador o compositor Alcides Malandro Histórico, de quem foi um dos principais parceiros. Na escola se dedicou de corpo e alma, foi também Diretor de Harmonia e mais tarde líder da Velha Guarda. Ainda não chegou a emplacar nenhum samba-enredo para escola, mas conseguiu vencer sambas "de terreiro" ou "sambas de quadra", como são conhecidos aqueles executados nos ensaios e logo tornados emblemas do patrimônio cultural coletivo dessas associações. Um deles é "Passado de Glória", que já foi "esquenta" (samba executado na área de concentração, pouco antes do desfile) da agremiação em diversos anos. Fora da vida artística trabalhou como contínuo, guardador de carros e feirante. O samba se perpetua na família Mauro Diniz, seu filho é cavaquinista e compositor de mão cheia, sua neta Juliana atriz e cantora, Marquinho Diniz seu outro filho é também compositor de vários sucessos, faz parte do Trio Calafrio. Em 2004 casou-se com Olinda, sua companheira de 16 anos. Discografia e Participações Seu primeiro disco solo foi lançado em 1976, com temas como "O Quitandeiro" (com Paulo da Portela) e "Lenço" (com Francisco Santana). Em 1995, Monarco tem o CD A Voz do Samba lançado no Japão. No Brasil, foi editado pelo selo Kuarup. Em 1999 a cantora Marisa Monte convidou Monarco e a Velha Guarda da Portela para o CD Tudo Azul, de sua produção, que contou com participação de Paulinho da Viola e Zeca Pagodinho. Em 2004 , foi lançada sua biografia pela Coleção Perfis do Rio, da Editora Relume - Dumará/RioArte, escrita pelo cavaquinista Henrique Cazes. No ano de 2005 foi homenageado como enredo do G.R.E.S. Unidos do Jacarezinho, classificando a Escola no décimo lugar do Grupo de Acesso B. Neste mesmo ano recebeu da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro a condecoração pelos seus 72 anos de vida e mais de meio século dedicado à música brasileira, mais especificamente ao samba. A Medalha Pedro Ernesto foi iniciativa da ex-vereadora Lícia Canindé (Ruça) e do vereador e ator Stepan Nercessian. Em 2008 foi lançado o documentário Mistério do Samba, dirigido pelos cineastas Lula Buarque de Hollanda e Carolina Jabor, e também produzido por Marisa Monte, que levara dez anos para ser concluído, e no qual Monarco participa oferecendo relatos sobre sua história de vida e seus testemunhos pessoais sobre a história do samba no Rio de Janeiro. Essa produção foi incluída na seleção oficial do Festival de Cannes. Em 2010, Monarco gravou seu primeiro DVD - "Monarco: A Memória do Samba" - no dia 28 de setembro, no Teatro Oi Casa Grande, Rio de Janeiro. Assim como o documentário "Mistério do Samba", esse projeto se pretende como um registro para a história da tradição do samba. Desse DVD participam Zeca Pagodinho, Martinho da Vila, Paulinho da Viola, Velha Guarda da Portela e Família Diniz. A direção artística ficou a cargo de seu filho, Mauro Diniz. Beth Carvalho também participa do DVD. Apesar de não poder comparecer ao show por conta da recuperação de uma cirurgia na coluna, Monarco e sua banda foram à sua casa para gravar, com a chamada "madrinha do samba", a canção "Lenço". A gravação foi exibida durante o show e está presente no DVD. Esse produto faz parte de um projeto da ONG Oficina do Parque, voltado para a preservação da obra desse bamba portelense, e traz consigo um CD ao vivo do mesmo show e um encarte impresso intitulado “Memórias de um Bamba”, com partituras, notas musicais e biográficas, curiosidades e anedotas vividas por Monarco. Em maio de 2011, o DVD foi lançado em um show para convidados no Teatro Rival Petrobrás, no centro do Rio de Janeiro. Lá, a ONG realizadora do projeto informou que, a princípio, o material (almanaque, CD e DVD) não estaria à venda, mas seria distribuído às bibliotecas públicas. Em 2013, Monarco foi articulador da vitória da chapa Portela Verdade, encabeçada por Serginho Procópio como presidente e Marcos Falcon, o vice, atuando politicamente contra o então ex-presidente da Portela (Nilo Figueiredo), e tornando-se então o presidente de honra da escola. Em 2015, seu álbum Passado de Glória - Monarco 80 anos foi premiado no 26º Prêmio da Música Brasileira na categoria Melhor Álbum de Samba. Em 2018 lança pela Biscoito Fino no Teatro Rival o CD “De Todos os Tempos”, produzido por seu filho Mauro Diniz, neste cd Monarco apresenta 18 músicas tiradas de seu baú de preciosidades. O samba não pode morrer, Monarco é um ícone para nós. É preservação e perpetuação desse gênero musical brasileiro é muito importante para nós do Carioca da Gema. Sempre incentivamos novos talentos, o samba mais carioca da cidade presta esta singela homenagem a essa figura tão carismática. Resistência sempre!


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