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"Uma casa de bambas-A HISTÓRIA DO CARIOCA DA GEMA NA lAPA"-Alex: O garçom que risca o chão

Atualizado: Mar 22

Autor: Cesar Tartaglia

Antonio Alexandre Martins é garçom do Carioca da Gema desde 2001. Cearense de Ipu, onde nasceu em 5 de abril de 1970, ele vagou pela noite carioca acumulando experiência e, sempre, distribuindo simpatia. Chegado do Nordeste em 1988, foi parar na churrascaria montada pelo lendário Garrincha – não o jogador, mas aquele sósia do imortal ponta-direita botafoguense, que se tornou uma espécie de personal garçom de Vinicius de Moraes (autor do apelido que pegou) e que, de maitre, passou a empresário da noite.

Com Garrincha (que vem a ser o igualmente cearense e xará Antonio Antenor Soares), Alex – para os íntimos, os clientes e o mundo em geral – começou como zelador. E, numa curva comum a grande parte dos conterrâneos que saem do Nordeste para alimentar cozinhas e salões de restaurantes no Sul Maravilha, foi subindo na escala funcional até se tornar garçom. Depois de seis anos trocou Garrincha pelo Guilhermina, e em seguida encarou mais quatro anos no Caroline Café.

– Aprendi tudo no tapa – conta Alex.

Desempregado na virada do milênio, Alex deu com os costados no Carioca da Gema inicialmente para fazer trabalhos extras.

– Vim com a cara e a coragem, pois estava no sufoco. Dei sorte porque a casa estava mesmo precisando de garçom. Thiago gostou do meu trabalho e me contratou. E agora estamos aí – brinca.

No ofício, Alex tornou-se uma unanimidade entre os clientes. E algo mais do que isso para a clientela feminina. Pé-de-valsa temperado nos forrós do Ceará e nos points cariocas de nordestinos, o garçom tem o divertido costume de circular pelo salão riscando o chão, dançando com suas fãs e clientes, entre um intervalo e outro de atendimento aos pedidos para a cozinha.

– Esse negócio começou com a Virgínia (Carvalho, antiga produtora do Carioca e fiel escudeira de tantos quantos sobem ao palco da casa). Ela me chamou para dançar uma noite, as mulheres viram e gostaram. Aí virou costume. A mulher chega aqui querendo dançar, e os homens não dão conta – diverte-se Alex. – É aí que eu entro.

A faceta de dançarino eventual o fez legar ao Bloco Carioca da Gema sua primeira porta-bandeira – a cozinheira Eliane. De tanto que os dois evoluíam juntos pelo salão Thiago acabou enxergando na funcionária da cozinha a personagem ideal para empunhar o estandarte da agremiação carnavalesca da casa. Com tanto tempo de casa, Alex já viu de tudo no salão. Ele se lembra, por exemplo, do cantor Moyseis Marques dando os primeiros passos no palco do Carioca:

– Ele vinha do forró, mas estava começando a cantar samba também. E acabou acontecendo.

Assistiu também a calças-arriadas:

– Chegou um casal. Os dois sentaram-se aqui na varanda, e ficaram de namorico. Mas o cara não sabia que a mulher dele estava no salão, perto do palco. Quando ela veio ao banheiro, pegou os dois no flagrante. Como diria Luiz Gonzaga, foi uma popa da moléstia. Foi preciso o (segurança da casa) Baby vir aqui apartar os dois.

Alex consolidou entre clientes, colegas de trabalho e artistas uma unanimidade temperada a bons momentos. Conta, por exemplo:

– Uma pessoa que admiro muito é a (cantora) Ana Costa. Foi a primeira artista que vi se apresentando aqui, e até hoje é uma pessoa maravilhosa. Trata todo mundo igualmente, tem muito carisma. Quando lhe sirvo, desenho um coraçãozinho no guardanapo... e quando a bebida chega, se não tem o coração, ela cobra: “Não, isso não foi o Alex que mandou não”.

Há recordações tristes. Ele ficou chocado, por exemplo, com a morte de Zé do Bolo, faxineiro do Carioca da Gema vítima de queimaduras generalizadas, em razão de um incêndio no qual se sacrificou para salvar três crianças ameaçadas pelas chamas. A geógrafa Priscila de Góes, que morreu em outubro de 2015 num assalto, no qual levou sete tiros, era uma cliente assídua e fazia questão de ser sempre atendida por Alex.

– Ela era uma pessoa única. Eu tinha o maior carinho por ela – lamenta.

O reconhecimento de Alex como profissional não se dá somente do portão da Mem de Sá para dentro do Carioca da Gema. Numa enquete feita por “O Globo” para escolher os cinco melhores garçons do Centro do Rio, o cearense pé-de-valsa estava lá no top five. O empresário Plínio Fróes, do Rio Scenarium e amigo de Thiago, assina embaixo:

– Por que ele? Porque ele é o cara! Além de ser super atencioso, refinado, Alex leva sua bandeja dançando e cantando pela casa afora, numa alegria de matar a gente de inveja!

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